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terça-feira, 1 de dezembro de 2020
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Anatomia radicular como fator dificultante para localização de um canal não-tratado endodonticamente.
(Clique nas imagens para ampliar)
O retratamento endodôntico é uma
modalidade de tratamento que sempre nos reserva algumas surpresas, por mais
minuciosa que tenha sido as etapas do diagnóstico e
planejamento de execução do caso clínico.
Neste caso em específico, o próprio
paciente trouxe a informação de que um canal não havia sido localizado quando
da execução do tratamento inicial por outro profissional, o que provavelmente
seria a causa da periodontite apical assintomática identificada
radiograficamente.
Com a utilização dos recursos da Microscopia
Operatória e do Ultrassom, a identificação de canais fica bastante facilitada,
mas não foi o que aconteceu neste caso. Clinicamente, pela posição ocupada pelo
material obturador, pude concluir que o canal ML havia sido tratado e o canal
MV seria o canal que estava “esquecido”.
Os desgastes seletivos com pontas de ultrassom,
através da visualização ampliada com o microscópio operatório, foram realizados na região MV com o objetivo de localizá-lo, mas o fator ANATOMIA se impôs e criou enorme dificuldade para
identificar a entrada do canal. Na verdade a anatomia impediu a localização da entrada do canal MV!
Após esgotadas a possibilidade de encontrar o
canal MV (foram consumidas 4 sessões de 1h30min) , respeitando os
limites de desgastes realizados em profundidade até um ponto de segurança
visual, afim de não provocar uma iatrogenia, decidi por realizar a obturação do
canal ML, acreditando na existência de um grande istmo nesta raiz, até mesmo porquê o canal ML tomava uma direção que
ia no sentido de encontro ao possível canal MV. Durante todas a etapas, foi
empregado o recurso da ativação ultrassônica passiva
(PUI) das substâncias químicas irrigadoras, bem como
utilizado o emprego de medicação intracanal a base de hidróxido de cálcio.
Realizada a obturação dos canais com o cimento AH
Plus, empregando a técnica de termoplastificação da
guta-percha, o exame radiográfico final revelou a verdadeira anatomia da raiz
mesial, mostrando que, pelo preenchimento com cimento do espaço correspondente ao canal MV, este se iniciava na região do terço médio da raiz, também início da curvatura radicular.
O paciente foi retornado ao profissional indicador
para realização do tratamento protético e solicitado o retorno dentro do prazo
de 6 meses para acompanhamento clínico-radiográfico do retratamento endodôntico.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Um mistério com o cimento AH Plus: acompanhamento de dois casos clínicos tratados endodonticamente.


Não sei ao certo em que ano o cimento endodôntico AH Plus foi lançado comercialmente. É um cimento tipo pasta-pasta, que vem em dois tubos, com excelentes propriedades físico-químicas e utilizado por muitos Endodontistas. Utilizei em vários casos clínicos por gostar do bom escoamento e da sua radiopacidade, mas com o tempo fui deixando de usá-lo por constatar que ao chegar na metade do seu uso, ou seja, quando os tubos encontravam-se pela metade, a pasta contida nos tubos começavam a ficar mais espessa e perdiam boa parte da sua fluidez. Consequentemente, aquilo que me atraía na pasta (escoamento) deixava de existir quando os meus tubos ainda estavam pela metade. O material ficava muito espesso, denso, sem fluidez alguma e eu não gostava daquilo. Com o tempo deixei de usá-la, pois a brincadeira estava ficando cara de demais: eu comprava as caixas com os dois tubos e os jogava fora quando chegavam na metade, pois o seu conteúdo ficava com uma consistência horrível para trabalhar! Não sei se este problema persiste até os dias atuais, pois já faz um bom tempo que não utilizo-a.
Pois bem, esta postagem não é pra falar porquê parei de utilizar a AH Plus e sim para descrever dois casos clínicos em que este cimento foi utilizado na obturação dos canais radiculares.
Em março de 2005 um paciente retornou para fazer a proservação do caso clínico (dente 36) que havia sido finalizado em março de 2002 e pude constatar um “comportamento” no mínimo estranho, do cimento AH Plus utilizado naquele tratamento endodôntico. Para o meu espanto ao examinar a radiografia periapical, pude constatar que havia um extravasamento de cimento relativamente grande, se comparado a radiografia do encerramento do caso clínico, na raiz distal daquele molar. O comum e o esperado era que tivesse ocorrido a reabsorção daquela pequena quantidade de cimento que extravasou ao final da obturação dos canais, ou ao menos que aquele cimento extravasado permanecesse “estático”. Mas não, o extravasamento de cimento aumentara! A imagem radiográfica mostra um volume grande de cimento permeando o tecido ósseo, onde antes só havia a imagem de osso.
Fiquei super encucado naquela época, sem saber ao certo o que estava se passando com aquele comportamento inesperado do cimento AH Plus. Nunca vira nada semelhante, nem com outros cimentos endodônticos.
Dias atrás retornou outro paciente para proservação do dente 11, cujo tratamento endodôntico havia sido finalizado em fevereiro de 2002, há 8 anos atrás. Coincidentemente no mesmo ano em que havia tratado o outro paciente e onde foi empregado também o cimento AH Plus na obturação do canal. Pude verificar também através do exame radiográfico de proservação que o cimento havia “extavasado um pouco mais” quando comparado com a radiografia periapical realizada no dia da obturação do canal. Voltei a ficar encucado! Parece o cimento se movimenta pelo tecido ósseo!
Será que algum dos meus colegas teria a solução para este mistério da AH Plus? Casos semelhantes já ocorreram? Alguém já observou este comportamento misterioso do cimento AH Plus?
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