

Não sei ao certo em que ano o cimento endodôntico AH Plus foi lançado comercialmente. É um cimento tipo pasta-pasta, que vem em dois tubos, com excelentes propriedades físico-químicas e utilizado por muitos Endodontistas. Utilizei em vários casos clínicos por gostar do bom escoamento e da sua radiopacidade, mas com o tempo fui deixando de usá-lo por constatar que ao chegar na metade do seu uso, ou seja, quando os tubos encontravam-se pela metade, a pasta contida nos tubos começavam a ficar mais espessa e perdiam boa parte da sua fluidez. Consequentemente, aquilo que me atraía na pasta (escoamento) deixava de existir quando os meus tubos ainda estavam pela metade. O material ficava muito espesso, denso, sem fluidez alguma e eu não gostava daquilo. Com o tempo deixei de usá-la, pois a brincadeira estava ficando cara de demais: eu comprava as caixas com os dois tubos e os jogava fora quando chegavam na metade, pois o seu conteúdo ficava com uma consistência horrível para trabalhar! Não sei se este problema persiste até os dias atuais, pois já faz um bom tempo que não utilizo-a.
Pois bem, esta postagem não é pra falar porquê parei de utilizar a AH Plus e sim para descrever dois casos clínicos em que este cimento foi utilizado na obturação dos canais radiculares.
Em março de 2005 um paciente retornou para fazer a proservação do caso clínico (dente 36) que havia sido finalizado em março de 2002 e pude constatar um “comportamento” no mínimo estranho, do cimento AH Plus utilizado naquele tratamento endodôntico. Para o meu espanto ao examinar a radiografia periapical, pude constatar que havia um extravasamento de cimento relativamente grande, se comparado a radiografia do encerramento do caso clínico, na raiz distal daquele molar. O comum e o esperado era que tivesse ocorrido a reabsorção daquela pequena quantidade de cimento que extravasou ao final da obturação dos canais, ou ao menos que aquele cimento extravasado permanecesse “estático”. Mas não, o extravasamento de cimento aumentara! A imagem radiográfica mostra um volume grande de cimento permeando o tecido ósseo, onde antes só havia a imagem de osso.
Fiquei super encucado naquela época, sem saber ao certo o que estava se passando com aquele comportamento inesperado do cimento AH Plus. Nunca vira nada semelhante, nem com outros cimentos endodônticos.
Dias atrás retornou outro paciente para proservação do dente 11, cujo tratamento endodôntico havia sido finalizado em fevereiro de 2002, há 8 anos atrás. Coincidentemente no mesmo ano em que havia tratado o outro paciente e onde foi empregado também o cimento AH Plus na obturação do canal. Pude verificar também através do exame radiográfico de proservação que o cimento havia “extavasado um pouco mais” quando comparado com a radiografia periapical realizada no dia da obturação do canal. Voltei a ficar encucado! Parece o cimento se movimenta pelo tecido ósseo!
Será que algum dos meus colegas teria a solução para este mistério da AH Plus? Casos semelhantes já ocorreram? Alguém já observou este comportamento misterioso do cimento AH Plus?
Olá, Marcel. Realmente bizarro esse caso do AH Plus. Ainda nao tenho casos de acompanhamento a longo prazo, mas se acontecer, lembrarei de compartilhá-lo com vc.
ResponderExcluirGostaria de perguntar: qual programa vc usa pra mexer nas imagens radiográficas?
Obrigada
Nossa, Marcel!
ResponderExcluirFiquei espantada tbém. Nunca vi nada parecido em anos de Radiologia.
Belas radiografias.
bjsssssssss
Caro colega realmente é interessante,porém não podemos descartar a possibilidade de algum outro colega ter tentado retratar o elemento dental em questão e ao remover o cimento extravasado pode ter arrombado o ápice radicular distal favorecendo um extravasamento muito maior durante a reobturação.Se for o caso acho que um tampão apical evitaria esse acidente.
ResponderExcluirUm abraço.
Wagner Viana
Fabiola, Kellen e Wagner:
ResponderExcluirGrato pela participação de vocês com comentários sobre esta postagem.
Fabiola: mande-me um e-mail que terei o maior prazer em eslarecer sobre o editor de imagens.
Kellen: a radiologia nos apresenta cada surpresa, não é?
Wagner: o dente em questão não passou por retratamento e também não haveria motivos para tal. Atente para o desaparecimento da rarefação óssea no ápice da raiz mesial. O paciente procurou-me espontaneamente para fazer a proservação, sem histórico de reintervenções.
Abraços a todos,
Caro Marcel tenho um caso parecido com o AH plus. No meu ficou dentrodo canal no final da obturação. Mas, 2 anos depois, a paciente precisou fazer uma docomentação e apareceu o extravasamento. Fiquei surpreso. Hoje uso o Pulp Canal Sealer (Sybron) e Sealer 26. Já o AH plus, não penso em comprar outro tão cedo. Abraço.
ResponderExcluirEm Tempo: como faço pra postar meu Rx para ilustrar?
Thiago,
ResponderExcluirLegal o seu relato colega. Mande as radiografias inicial e final do seu caso para o e-mail endodontiaavancada@gmail.com
Coloque o seu nome completo e as datas das radiografias.
Abraços
Tenho um caso parecido de 6 anos é semelhante o extravasamento .
ResponderExcluirAlexandre Eduardo de Oliveira Gomes
Uberaba MG
Alexandre,
ResponderExcluirTenho interesse em conhecer o seu caso clínico. Poderia enviar para o e-mail do Blog?
Abraços,
Muito interessante esse seu caso!! Agora fiquei curiosa para saber qual o motivo para o ocorrido.. Você já pensou em comunicar o fato para a Dentsply? Talvez isso incentive a que eles façam estudos para elucidar melhor essa "propriedade"...
ResponderExcluirMuito interessante! Vou fazer um trabalho para a especialização sobre os cimentos resinosos e gostaria de saber se só foram esses 2 casos clínicos que aconteceram? Grata.
ResponderExcluirEdilma - Rio de Janeiro
Edilma,
ResponderExcluirQue eu consegui proservar foram estes casos.
Boa sorte no seu trabalho. Quando estiver pronto, mande pro e-mail do Blog, ok?
Abraços,
Eu acredito que seja tipo um efeito da tatuagem de amalgama ou mesmo tatuagem em tecidos bucais (já vi tatuarem parte interna do lábio) os osteoclastos e afins começam a movimentar as moleculas do amálgama, tatuagem e talvez do AH Plus, por isso talvez o espalhamento maior do cimento. Que achas?
ResponderExcluirJosue Nolde
Josué,
ResponderExcluirConfesso que não entendi muito bem a sua teoria.
Estou prestes a ter a oportunidade de proservar aquele primeiro caso por mais uma vez. Daí vamos ver qual terá sido o comportamento da AH Plus.
Grande abraço e volte sempre.
Bom,
ResponderExcluirvocê não cogitou a possibilidade de que os pinos intrarradiculares foram os causadores do extravasamento? Foi você mesmo quem confeccionou a prótese? Será que algum colega não exerceu uma força tão grande a ponto de provocar esse extravasamento? Eu acredito que sim pois, já tive um caso parecido.
abç
Olá Carlos Eduardo Duarte,
ResponderExcluirNão acredito nesta possibilidade, até mesmo porquê no caso do molar não houve instalação de pino intra-radicular.
No caso do incisivo não fui eu quem confeccionou a prótese.
Grato pela sua participação.
Volte sempre
Cara, minha teoria é só que os osteoclastos estão tentando remover o material, mas não conseguem, ai acaba espalhando!
ResponderExcluirJosué Nolde,
ResponderExcluirInteressante a sua colocação!
Obrigado pelo comentário.
Abraços,
caro colega tive um caso semelhante essa semana obturei segunda ,quarta ele relatou q inciou dor ao morder radiografei e percebi q o extravasamento parecia aumentado achei q o RX final poderia nao ter a mesma angulaçao ,mediquei hoje me ligou dizendo q havia uma ingua naregiao do dente fiz outro RXe o extravazamento aumentou. Eagora?
ResponderExcluirOlá, Marcel!
ResponderExcluirNa Revista Endodontics do final de 2011, tem um trabalho publicado que comenta sobre alterações físico-químicas de alguns componentes da bisnagas do cimento AH Plus e que é um ponto negativo desse material muito sério. Também comenta de sua nada boa Biocompatibilidade.
Abraços. Gino
Gino, existem sim alguns trabalhos apontando para alterações de comportamento da AH Plus nas bisnagas, em especial diferenças quando o tubo está cheio, pela metade e no final. Qaunto a biocompatibilidade, só tenho visto ponto favoráveis.Abçs
ResponderExcluirOlá Marcel, como vai?
ResponderExcluirVocê já viu algo na literatura a respeito??
Tenho caso muito semelhante ao seu.
Obrigado
isso pode ser explicado pela movimentação dos Macrófagos, como na tatuagem, os elementos radiopacos são fagocitados e não são digeridos por enzimas por essas células, permanecem na região podendo se espalhar. Isso não quer dizer que ainda haja cimento puro propriamente dito, mas apenas a matriz radiopaca do material. A proservação é a melhor tratamento. Tenho certeza que voce obteve sucesso no tratamento. Parabéns pela postagem imagem incrivel !!!
ResponderExcluirOlá Marcel !! Este "fenômeno" com o AH Plus não pode ter ocorrido pela propriedade tixotrópica de material ?
ResponderExcluirOlá Marcel, tb tenho um caso semelhante! Alguns meses depois de obturado, o cimento extravasou bem mais do que mostrou a radiografia final pós-tratamento endodôntico. Podemos tentar conversar sobre o assunto depois? Abraço, George Candeiro (Doutor em Endodontia - USP)
ResponderExcluirOlá George! Estou a disposição para troca de informações e experiências. (endodontiaavancada@gmail.com). O caso do molar tenho a proservação de 9 anos, e dentro de mais alguns dias deverei conseguir fazer mais um acompanhamento. Em breve atualizarei esta postagem. Abraços
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