quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Artigo Científico: Falha de restaurações unitárias em dentes posteriores tratados endodonticamente: revisão sistemática.


Essa revisão sistemática focou em avaliar apenas dois fatores de risco que afetam a sobrevivência de tratamentos restauradores em dentes tratados endodonticamente: 

1) quantidade de estrutura coronária remanescente e 
2) material restaurador utilizado.

Os autores reconhecem limitações na avaliação deste estudo, entretanto, apesar das limitações, o estudo forneceu duas conclusões principais a respeito das restaurações nos dentes posteriores tratados endodonticamente: 1) Quanto maior a estrutura remanescente do dente, melhor resultado do tratamento; 2) As coroas retidas por pinos parecem apresentar os melhores resultados, seguido por coroas sem pinos e por último as restaurações intra-coronárias.

Os autores concluem ainda que, consequentemente, as cavidades de acesso endodôntico devem ser mantidas conservadoras para maximizar a quantidade de estrutura remanescente do dente, o que por sua vez deve determinar a escolha da restauração coronária final. Apesar da superioridade das coroas retidas por pinos, as coroas sem pinos podem ser consideradas quando existem três a quatro paredes remanescentes, enquanto que as coroas retidas por pinos podem ser preferidas em dentes com uma a duas paredes remanescentes. 

Outras reconstruções protéticas podem ser consideradas em casos com menos de uma parede, especialmente sem nenhuma férula.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Pinos de Fibra de Vidro na restauração de dentes tratados endodonticamente.

Recente estudo publicado online no JOE (Journal of Endodontics) em 07/12/2016 com o titulo Long-term Clinical Outcomes of Endodontically Treated Teeth Restored with or without Fiber Post–retained Single-unit Restorations  , mostra a importância da utilização dos pinos de fibra de vidro em dentes que receberam o tratamento de canal.

Neste trabalho os procedimentos endodônticos e restauradores foram executados pelo mesmo profissional e abrangeu um período de observação médio de 8,8 anos. Os dentes tratados endodonticamente, com ou sem pinos de fibra de vidro, foram restaurados definitivamente com coroas unitárias ou com restaurações diretas em resina composta.

Os resultados revelaram que os dentes tratados endodonticamente que receberam a instalação de pinos de fibra de vidro tiveram taxa de sobrevivência de 94,3%, enquanto os dentes quem não tiveram os pinos instalados tiveram taxa de sobrevivência de 76,3%, diferença estatisticamente superior e significativa. Além disso, o fato de os dentes tratados endodonticamente com e sem pino de fibra terem recebido uma coroa unitária não melhorou o prognóstico quando comparado com os dentes que receberam uma restauração direta com resina composta. De um modo resumido, os dados revelados neste estudo mostram que os dentes restaurados com pinos de fibra de vidro produziram uma perda de dentes significativamente menor do que os dentes restaurados sem um pino de fibra, independentemente de ter recebido ou não uma coroa unitária como reabiliatação final.

Este estudo traz também informações sobre as fraturas. Em 9,7% de todos os dentes, a fratura radicular vertical foi a razão para a perda dentária. De todas as fraturas de raiz vertical, 52,4% foram observadas nas raízes mesiais de molares mandibulares sem o pino.


Nas entrelinhas deste trabalho, os autores deixam a mensagem de que o endodontista deva realizar a instalação do pino de fibra de vidro em ato contínuo a finalização do tratamento endodôntico e no mínimo realizar uma restauração direta em resina composta para evitar futuras complicações, tais como fraturas e/ou reinfecções do sistema de canais.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Pulp Canal Obliteration – Quando monitorar e quando tratar o canal?

Uma sequela comum após a ocorrência de um trauma dental, a obliteração do espaço pulpar (PCO – Pulp Canal Obliteration) ou metamorfose cálcica, também popularmente conhecida como calcificação do canal, é caracterizada pela deposição de tecido duro dentro do espaço do canal e presença de alteração cromática amarelada da coroa dental. Essa obliteração do espaço do canal pode ocorrer de maneira parcial ou total.

Dentes com PCO geralmente são assintomáticos e descobertos em achados radiográficos de rotina ou quando o paciente e/ou profissional visualizam a cor amarelada da coroa dental e desperta-se o interesse por uma investigação.

Muitos profissionais pensam que, ao diagnosticar-se um dente com PCO, aquele dente necessitará de tratamento endodôntico, o que não é verdade. Dentes que estejam assintomáticos e radiograficamente não apresentem sinais de alteração periapical, a literatura científica sustenta que o dente deva apenas ser monitorado rotineiramente com radiografias periapicais, pois a necrose pulpar e as alterações periapicais não são uma complicação comum nos casos de PCO. Muitos estudos indicam que a incidência de necrose pulpar nestes dentes varia de 1-27%, o que geralmente pode ser considerado muito baixo a incidência.

Mais de 75% dos dentes com PCO estão livres de sinais e sintomas e não requerem nenhum tipo de tratamento, a não ser manter a observação clínica e o acompanhamento radiográfico periódico para monitorar a saúde dos tecidos periapicais.

O tratamento endodôntico não deve ser realizado até que apareçam sintomas e sinais radiográficos de alteração periapical!

O manejo destes dentes quando requerem o tratamento endodôntico é sempre desafiador, pois a remoção do tecido calcificado e localização da entrada do canal nem sempre é fácil, até mesmo para os profissionais mais experientes e que trabalham com Microscópio Operatório. Uma criteriosa avaliação da inclinação do dente na arcada e direção do longo eixo do dente é fundamental no momento da realização do acesso coronário para evitar desgastes excessivos do tecido dentinário e perfuração radicular.

O caso clínico abaixo é de um paciente jovem com 26 anos de idade e cuja queixa principal era de que “o dente estava escurecendo”. A história dental passada mostrou realização de tratamento ortodôntico durante 5 anos e nenhum histórico de trauma dental. Estava assintomático e nenhuma alteração clínica identificada pelos testes clínicos, a não ser a alteração cromática da coroa dental que se apresentava amarelada. Foram realizados os testes de sensibilidade pulpar ao frio e teste elétrico, sendo que ambos apresentaram respostas negativas (-), o que já era esperado diante da presença da extensa calcificação do espaço pulpar que impede a chegada do estímulo ao tecido pulpar. Os testes de sensibilidade pulpar não são confiáveis na presença de PCO.


No exame radiográfico foi identificado a Pulp Canal Obliteration – PCO e no estudo tomográfico cone-beam (CBCT) tivemos condições de melhor avaliar a extensão da calcificação e avaliar a saúde dos tecido periapicais. A decisão clínica foi de apenas realizar o clareamento dental exógeno e manter o dente em monitoramento radiográfico a longo prazo, conforme ilustração do fluxograma em cores vermelhas.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Dens in dente - Um desafio para o Endodontista.

Dens in dente é uma má-formação de desenvolvimento do dente, em que ocorre uma invaginação do esmalte em direção ao espaço pulpar, formando um defeito estreito que facilita a retenção bacteriana e pode predispor ao aparecimento de cáries, criando assim uma via de acesso ao órgão pulpar, propiciando assim o aparecimento de danos a polpa.

Em pacientes jovens, é importante a identificação e diagnóstico precoce desta má-formação para evitar danos pulpares em dentes que ainda não completaram a formação radicular e estão ainda com ápices abertos. O tratamento profilático dessas áreas é indicado para prevenir cáries e manter a vitalidade da polpa dental, através do selamento com resina composta. Dentes afetados por esta má-formação e não adequadamente diagnosticados estão sujeitos a desenvolver cáries e patologias pulpares.

O tratamento endodôntico de casos de Dens in dente é bastante desafiador, dada a sua complexidade anatômica. Um profissional Especialista em Endodontia, experiente nestes tipos de casos, está preparado para tratar adequadamente estes casos por dispor de um aparato tecnológico e treinamento para estas situações complexas.

O tipo mais comum de Dens in dente é o tipo I (ver figura acima), muito comum de ser observado nos incisivos laterais e incisivos centrais superiores. Características clínicas muito comum de serem observados é a presença de um proeminente cíngulo palatino nos incisivos laterais e centrais superiores. É uma condição totalmente assintomática para o paciente, mas os casos identificados tardiamente podem apresentar sintomas de pulpite irreversível ou periodontite apical, indicando que ocorreu a proliferação bacteriana para o espaço pulpar através da área de má-formação do esmalte dental.

Em 43% dos casos o Dens in dente é bilateral, ou seja, se você identificou um Dens in dente, verifique também o dente contralateral.

O caso clínico apresentado foi realizado em uma criança que havia desenvolvido um quadro de abscesso periapical sintomático, com formação de edema extra-oral em duas situações diferentes e os profissionais por quais a criança passou não conseguiram fechar o diagnóstico do caso clínico, pois segundo relato dos pais “não havia sido encontrado nenhuma cárie no dente da criança”.
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Com a realização da radiografia periapical e exame clínico, foi identificado a presença de um cíngulo proeminente na face palatina do dente 22, recaindo a suspeita diagnóstica de que estávamos diante de um caso de Dens in dente. Tive a oportunidade de confirmar o diagnóstico clínico e radiográfico através da realização de uma tomografia cone-beam, o que em muito ajudou no planejamento da intervenção endodôntica.


O tratamento foi desenvolvido seguindo os princípios de controle da infecção, para em seguida ser finalizado empregando um plug apical de MTA e obturação do restante do canal com guta-percha termoplastificada e selamento definitivo da abertura coronária com resina Luxacore.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Novo cimento endodôntico - Sealer Plus MK Life.

A MK Life lançou no mercado brasileiro seu primeiro cimento endodôntico a base de resina-epoxi, o Sealer Plus MK Life.
O Sealer Plus MK Life foi desenvolvido e pesquisado pela Equipe de Endodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP) e apresenta as seguintes características, segundo o fabricante:

1- Formulação a base de resina-epoxi, considerado o padrão ouro para os cimentos endodônticos (ex: AH Plus);
2- Excelente fluidez, permitindo preencher e selar canais laterais;
3- Baixa contração de presa, o que evita gaps entre o material obturador e as paredes do canal;
4- Baixa solubilidade, evitando infiltração apical;
5- Fácil e rápida manipulação, pois o material (pasta-pasta) está contido em seringa de corpo duplo que dispensa, ao mesmo tempo, as porções necessárias para a mistura do material;
6- Alta radiopacidade;
7- Baixo risco citotóxico devido ao curto tempo de presa;
8- Biocompatibilidade, o que evita sensibilidade e inflamação dos tecidos periapicais.


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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Intervenção minimamente invasiva na Endodontia.

Avanços atuais na Endodontia tem permitido a execução de tratamentos endodônticos aplicando o conceito da intervenção minimamente invasiva, cujo objetivo é preservar maior quantidade de estrutura dental coronária e radicular, sem que comprometa a qualidade final do tratamento.

Para abandonar os conceitos tradicionais de tratamento endodôntico, seja em relação a abertura coronária ou seja em relação ao preparo dos canais radiculares, e passar a empregar os novos conceitos da intervenção minimamente invasiva, necessário de faz empregar os recursos tecnológicos da microscopia, do ultrassom, uso de instrumentos ultra-flexíveis, irrigação eficiente dos canais e, por vezes, da tomografia (CBCT) para auxiliar no planejamento, não se esquecendo da necessidade de treinamento do profissional para atingir os objetivos de preservar a estrutura dental sem que comprometa a qualidade da limpeza e desinfecção dos canais radiculares.

Exemplificando, abaixo estão radiografias de tratamentos endodônticos de dentes vizinhos (11 e 21) realizados em momentos diferentes e por profissionais diferentes. No dente 11 foi empregado os conceitos tradicionais ou convencionais de abertura e preparo dos canais, enquanto no dente 21 foram utilizados os novos conceitos de intervenção minimamente invasiva.


Fica bastante evidente que no dente 21 houve menor desgaste da estrutura dental e que isso pode implicar num menor risco de fratura dental, implicando numa maior sobrevida do dente tratado endodonticamente.

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