segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A arte de radiografar e interpretar na Endodontia.





Legenda:
1- Radiografia periapical ortorradial
2- Radiografia periapical mesiorradial
3- Radiografia periapical distorradial
4- Radiografia periapical ortorradial

Comentário:
Ao praticar a Endodontia é necessário a aplicação de outra especialidade: a de fazer radiografias, boas radiografias. Desde o diagnóstico, passando pela fase de tratamento e indo até a proservação, a radiografia (seja ela periapical, interproximal ou oclusal) constitue-se num grande auxiliar para quem realiza tratamentos endodônticos.
Para que a radiografia possa ser um verdadeiro auxiliar na prática endodôntica, é necessário que as imagens radiográficas sejam de exímia qualidade. Caso contrário, só servirão para atrapalhar e confundir aquele que estiver visualizando a imagem radiográfica.
Podemos fazer uma pequena analogia com as fotografias: todo mundo tem uma máquina fotográfica hoje em dia, mas nem todo mundo consegue fazer fotografias dignas de contemplação de um produto artístico. Assim como as fotografias realizadas por fotógrafos profissionais fazem uma enorme diferença, as nossas radiografias também devem ser dignas de contemplação e fornecer imagens enquadradas e detalhadas dos elementos dentais e estruturas anatômicas vizinhas que pretendemos analisar, sempre buscando o melhor ângulo.
Além de fazer radiografias de qualidade, exige-se também do Endodontista o domínio na interpretação das imagens radiográficas produzidas. De nada valerá estar com uma excelente radiografia em mãos e não saber interpretar as informações nela contidas. Antes de realizar uma radiografia é necessário saber o que se está procurando!
Com o objetivo de ajudar na interpretação da imagem radiográfica, em determinadas situações (isso acaba sendo rotineiro para quem só faz tratamento de canais) usamos de algumas variações técnicas radiográficas para obter melhor visualização de raízes e/ou canais radiculares.
A dissociação de raízes e/ou canais que se sobrepõem nas imagens radiográficas é de grande importância, pois é comum as estruturas dentárias que estão por vestibular ficarem sobrepostas às estruturas dentárias que estão na face palatina. Através da variação no ângulo horizontal de incidência dos Raios X, conseguimos com que as imagens das raízes/canais sejam melhor visualizados.
Este artifício de alterar discretamente a incidência dos Raios X é bastante útil nas etapas de diagnóstico, odontometria, prova dos cones, obturação e proservação. Podemos fazer incidência frontal (ortorradial), mesializada (mesiorradial) ou distalizada (distorradial).
Para exemplificar, reparem nas radiografias que foram realizadas neste caso clínico, onde ao mesmo tempo é possível acompanhar um tratamento endodôntico que estava em fase de execução (pré-molar superior, 25) e um tratamento endodôntico que já havia sido concluído.
A primeira radiografia (1) nos mostra que foi realizada numa incidência ortorradial (existe a completa dissociação dos canais MV, P e DV no dente 26).
No transcorrer do tratamento endodôntico do dente 25, mais precisamente durante a fase da prova dos cones (2), é possível perceber que esta radiografia foi realizada com uma angulação mesializada (observem que o canal DV do dente 26 está bem dissociado e isso só se consegue quando da incidência mesiorradial; nesta mesma radiografia é possível observar que o canal P do dente 25 acompanhou o movimento de angulação mesializada). Existe uma regra básica que diz que todo objeto que está por palatino tende a se deslocar para o mesmo lado em que está incidindo o feixe de Raios X.
Já na fase final do tratamento endodôntico, com a obturação dos canais já concluída no dente 25, fiz duas radiografias com incidências diferentes: uma na posição distorradial (3) (foi possível a dissociação dos canais V e P do dente 25, visualizando agora que o canal P está numa posição distal; no dente 26 o canal DV ficou sobreposto ao canal P) e outra na posição ortorradial (4) (observem novamente a completa dissociação dos canais MV, P e DV no dente 26 e a total sobreposição dos canais V e P no dente 25).
Como puderam perceber, é necessário saber o que se quer ver, o que está procurando, para então realizar as radiografias com incidências adequadas (orto, mesio ou distorradial) a cada situação diferente. Uma determinada incidência do feixe de Raios X pode favorecer a visualização de determinado dente e comprometer a análise de outro dente, e isso ficou bem demonstrado neste caso clínico com dentes que são vizinhos. Imaginem com dentes que se situam distantes, o quanto de detalhes podem ser mascarados!
Antes de emitir algum parecer ou dar alguma opinião sobre uma imagem radiográfica, pergunte-se se aquela radiografia foi realizada especificamente para aquele dente.
Na Endodontia, radiografar e interpretar é uma arte... Vai muito além do simples ato de apertar um botão!

Um comentário:

  1. Marcel,
    Que belo post! Sou suspeita para falar da importância das radiografias...rsrsrs.
    Parabéns pelo post e pelo blog!
    Bjsssssss

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